Entenda o risco: Ebola chega à Nigéria e já passa de 4.700 mortes na África; o Brasil corre risco?
Uma mulher que veio de Uganda ficou nove dias num hospital de Abuja antes do diagnóstico. Veja o que se sabe do surto, por que não há vacina para essa variante e o que dizem as autoridades brasileiras.

Na terça-feira (20/10), o Ministério da Saúde da Nigéria confirmou um caso de ebola em Abuja, a capital do país. A paciente é uma mulher que tinha chegado de Uganda.
O diagnóstico, porém, saiu tarde. E é por isso que as autoridades estão rastreando dezenas de pessoas.
Por que o caso da Nigéria preocupa?
Os sintomas começaram em 7 de outubro. No dia 11, ela foi internada num hospital particular de Abuja. A confirmação do ebola só veio nove dias depois.
Nesse intervalo, ela teve contato com outras pessoas. O ministro da Saúde, Muhammad Pate, disse que 44 contatos estão sendo rastreados. Entre eles há profissionais de saúde, outros pacientes e acompanhantes, segundo o portal médico Afya.
A paciente está isolada e recebe tratamento. O centro de controle de doenças da Nigéria (NCDC) coordena a resposta com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A Nigéria já passou por isso. No surto de 2014 a 2016, o país teve 20 casos e controlou a doença em três meses.
Qual o tamanho do surto?
Os números são grandes. Segundo a OMS, citada pela ONU News em 23 de outubro, o surto já soma mais de 9.765 infecções e 4.727 mortes desde maio. Mais de 2.600 pessoas sobreviveram.
Tudo começou na República Democrática do Congo, que declarou o surto em 15 de maio. Em seguida vieram casos em Uganda e, em outubro, no Quênia. A Nigéria é o quinto país atingido, segundo a OMS.
Em maio, a OMS declarou emergência de saúde pública de importância internacional. Hoje, mais de 20 países estão em alerta máximo.
O diretor do CDC da África, Jean Kaseya, disse que este já é o surto de ebola mais espalhado geograficamente da história. Segundo ele, quase metade dos infectados morre.
Por que não existe vacina para esta variante?
Este surto é causado pelo vírus Bundibugyo, uma das espécies de ebola. Ele é mais raro que o vírus que causou a grande epidemia de 2014.
A diferença importa. As vacinas aprovadas hoje, como a Ervebo, protegem contra outra espécie, chamada de Zaire. Para o Bundibugyo, a OMS informa que ainda não há vacina nem remédio aprovado, só candidatos em teste.
Na prática, o combate depende de achar os doentes rápido, isolar e acompanhar quem teve contato. Por isso o atraso no diagnóstico de Abuja pesa tanto.
Como o ebola passa de uma pessoa para outra?
Pelo contato direto com sangue ou outros líquidos do corpo de alguém doente. Também por objetos contaminados com esses líquidos. O ebola não é transmitido pelo ar como a gripe, segundo especialistas ouvidos pela imprensa brasileira.
Pela OMS, uma pessoa infectada só transmite o vírus depois que os sintomas aparecem. Eles surgem de 2 a 21 dias após o contágio:
- febre de repente, cansaço e dor no corpo;
- dor de cabeça e de garganta;
- depois, vômito, diarreia, dor na barriga e manchas na pele;
- sangramentos são menos comuns e aparecem mais tarde.
E o Brasil, corre risco?
Segundo o Ministério da Saúde, o risco de o ebola chegar e se espalhar no Brasil é baixo. O país nunca teve um caso confirmado.
Em maio, o governo ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais. A Anvisa reforçou a vigilância em portos e aeroportos, com avisos nas áreas de desembarque internacional.
O sistema já foi testado neste ano. Pelo menos três suspeitas foram investigadas e descartadas. Um viajante que veio de Uganda para o Rio tinha malária. Em São Paulo, um paciente tinha doença meningocócica e outra, uma infecção intestinal.
A OMS e a Anvisa não recomendam proibir viagens aos países afetados. Para quem viaja, o risco é considerado muito baixo, desde que não haja contato com sangue ou líquidos de pessoas ou animais doentes.
O que fazer se você voltou da África e sentiu febre
A orientação da Anvisa é simples. Se os sintomas aparecerem em até 21 dias depois da volta de uma área afetada, procure uma unidade de saúde na hora e conte por onde viajou.
Essa informação muda o atendimento. Febre depois de viagem à África pode ser malária, por exemplo, que também é grave e tem tratamento. Em qualquer caso, procure um profissional de saúde e não tome remédio por conta própria.
O que vem agora
Os próximos dias mostram se algum dos 44 contatos em Abuja ficou doente. O prazo de vigilância é de 21 dias, o tempo máximo de incubação do vírus.
Também no site: o que muda com a nova vacina Pneumo 20 do Ministério da Saúde.
Fontes
Imagens: Vírus ebola visto ao microscópio eletrônico (imagem colorizada, arquivo). Foto: CDC/Cynthia Goldsmith (domínio público), via Wikimedia Commons